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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Por Onde Fui: Vivendo na Hungria - Por Illona Brevák

Chegou o Por Onde Fui de hoje direto da Hungria, com Illona Brevák contando como é viver neste lindo país e o que tem de bom para fazer por lá. Envie seu texto você também!

Por Illona Brevák

Vivendo na Hungria

Como sou descendente do húngaro por parte de pai, tive opção de vir para a Hungria em 2007 para estudar o idioma por 10 meses com bolsa de estudo. Esse benefício se aplica apenas aos descendentes de primeiro grau (pai, mãe e no máximo avós húngaros).

A primeira dificuldade que enfrentei aqui foi com relação ao idioma. Apesar de meu pai ter me criado para ser bilíngue, a preguiça falou mais alto e eu apenas entendia e não respondia na mesma língua. Quando cheguei o húngaro havia se modernizado, eu até entendia o que falavam, mas não conseguia responder. O inglês? Inútil aqui, a maioria das pessoas entendem mais o alemão e o espanhol.


Depois que os 10 meses de curso acabaram eu tive a oportunidade de tirar nacionalidade húngara, ficando com dupla-cidadania e isso me permita permanecer no país por tempo indeterminado.

A visão do estrangeiro do povo húngaro é que é um povo triste, de cabeça baixa (só olham para baixo) e que vivem no passado, formado principalmente por idosos. Os jovens saem do país para ir para outros países da união europeia trabalhar e não voltam mais por causa da economia. Atualmente os recém-formados são obrigados a ficarem no país por 5 anos trabalhando, porque se saírem para trabalhar em outro país eles ficam desempregados e são considerados como deserdados.

Para turismo, aconselho que visitem a Hungria no outono ou na primavera, porque no verão faz muito calor e é difícil de aguentar a alta temperatura (42º C) e o tempo seco e no inverno faz muito frio (algumas regiões chegam a -20ºC), não dá para ver muita coisa porque anoitece muito cedo (por volta das 16h).

Em relação à moeda, o euro ainda não foi implantado na Hungria apesar de o país fazer parte da união europeia. Nossa moeda aqui é o Ft (forint), 100 Ft equivalem a 1 real, e Budapest sobrevive basicamente do turismo, então é um bom lugar para se passar as férias porque acaba sendo barato!

A cidade de Budapeste é dividida pelo rio Danúbio que tem sua nascente na Alemanha. De um lado, fica Buda, caracterizada pelas montanhas e casarões (alguns modernos) de pessoas ricas e Peste é o plano da cidade, onde os prédios não passam dos 3 ou 4 andares. A arquitetura é muito conservada, dá uma excelente aula de história apesar de algumas fachadas mais modernas.

A cidade é dividida em distritos e os principais deles com pontos turísticos bem famosos são o 1º, 5º e 6 º distritos, que vou dividí-los aqui para facilitar a localização das atrações:

1º Distrito

É onde fica o Mirante do Bastião dos Pescadores (Citadela), que tem uma vista linda da cidade e dá belas fotos do Parlamento!

Parlamento
Você também pode conhecer o Castelo de Buda, que é como uma cidade medieval com muralhas ao seu redor, onde podemos encontrar também a biblioteca municipal e muitas outras coisas interessantes porque tem muito espaço por lá, você precisa de um dia inteiro conhecer tudo. É lá onde fica a igreja Santo Estevão (onde está a mão do Rei Estevão, porque é lá que está sua cripta) e o Prédio do Exército, onde acontece a troca de guarda que vale a pena ser assistida e gravada porque no Brasil não temos esse tipo de ritual.

Castelo de Buda
É desse castelo que sai o Siklo, uma espécie de bondinho, que te leva de lá até a Ponte das Correntes (Széchenyi Híd), mais uma atração turística. No verão e na primavera é possível praticar arco e flecha e tirar foto com um gavião e um personagem vestido de medieval.

É nesse distrito que ficam os shoppings porque é a região mais rica da cidade, mas eu aconselho comparar roupas em brechós ou na Fashion Street (Váci Utca) porque é mais barato.

5º Distrito

A cidade é conhecida pelas famosas pontes e este distrito fica entre duas delas, a Ponte da Liberdade (Szabadság Híd) e a Ponte Elizabeth (Erzsébet Híd).

A Fövám Tér é uma praça onde fica o Mercadão Central de Budapeste (Vásárcsarnok), cuja arquitetura é muito bonita e é onde podemos encontrar frutas, legumes, bebidas típicas (Pálinka – um destilado), peixes (todos vivos), pimentas e alimentos curtidos (pepino, repolho, cebola,etc.). No mezanino há quiosques com bons restaurantes onde as pessoas comem em pé. Há também suvenires e os vendedores estão tão acostumados com o turismo que às vezes falam sua língua, são bons negociadores também, então é um ótimo lugar para pechinchar.

Mercado Central de Budapeste
Saindo do mercadão e seguindo em frente, cerca de 30 minutos de caminhada com uma bela paisagem para se apreciar, você chega na Fashion Street (Váci Utca) que é a avenida dos suvenires. É lá onde você encontra todo tipo de quinquilharia que turista ama levar para casa! Um bom lugar também para fazer compras de roupas e acessórios, pois os preços nos brechós são muito mais em conta do que no shopping, e a qualidade é tão boa quanto o preço.

Mercado Central de Budapeste
Para conhecer o Parlamento e a Sinagoga é preciso pagar um valor e consultar os horários de visita. Você também pode optar por aqueles áudios que servem de guia, em inglês ou no idioma local. Eu particularmente acho chato, prefiro fotografar de fora que já vale bastante a pena.

6º Distrito

É onde fica a Andrássy Út, uma avenida bem longa com algumas lojas e comércios, como a Avenida Paulista para os Brasileiros porque é nela que acontecem todos os protestos e manifestações feitos pela população, é nela também que fica o primeiro metrô de Budapeste, que vale um passeio porque é bem pequeno e tem apenas 2 vagões. Ela termina na Praça dos Heróis (Hősök Tere) que tem um monumento, 2 museus (um de cada lado), um parque onde fica o parque de diversões aberto apenas nas estações mais quentes, o zoológico e do outro lado tem um bom lugar para levar os animais de estimação, há quadras e uma pequena arena onde ocorre a feira da pulga aos domingos. A feira da pulga é uma feira de pechincha, onde são vendidos uteis usados e você negocia os valores com o vendedor.
Praça dos Heróis
É no sexto distrito onde fica a Basílica, onde você paga uma taxa para entrar, mas sem guia, é um passeio bem bonito também.

Eu, particularmente, não aconselho o uso daqueles ônibus de turismo (Hop On – Hop Off) porque eles não deixam o turista descer e conhecer as atrações. Você sobe nele, faz um tour com áudio e vê tudo de cima e de longe.

Com relação à segurança, a no geral a cidade é bem segura, apenas o 8ºe 9ºdistritos são bairros mais perigosos, os conhecidos “barra pesada” que não são indicados para turismo.


Quanto ao transporte público, existem várias opções de bilhetes. Os indicados para os turistas que vem passar poucos dias na cidade são os bilhetes de 24h, 48h ou 72h, que permite que você use o mesmo bilhete durante todas as suas viagens dentro desse período de tempo. Caso você vá ficar mais tempo, há os bilhetes semanais e mensais, que eu acho que vale mais a pena. Esses bilhetes dão acesso a todos os meios de transporte aqui, existe até barcos públicos que você “aluga” para cruzar o rio. Ah, e é importante lembrar que não existe cobrador nos ônibus daqui, como na maioria dos países da Europa, mas não é por isso que você pode relaxar e esquecer o bilhete ou querer sacanear (o famoso jeitinho brasileiro) usando o ticket errado, porque fiscais entram no transporte público o tempo todo e verificam os bilhetes e você não vai querer arrumar uma confusão com a polícia que não fala inglês, né?

Uma curiosidade interessante sobre Budapeste é que não existem padarias aqui. Se você quiser comprar pão, pode encontra-los nas bakeries e para a alegria dos brasileiros aqui a gente encontra pão francês. Mas a ideia de padaria que nós temos, onde podemos tomar café da manhã, almoçar, comprar doces e tomar café a qualquer hora do dia não existe aqui. Para comprar um maço de cigarros, por exemplo, você precisa encontrar uma Tabacaria e lá sim pode tomar um cafezinho no meio da tarde.

Outra coisa bem legal aqui é que você pode encontrar ônibus que te levam para outros países próximos por um preço bem em conta. Então se você quiser estender um pouquinho sua viagem e conhecer outros destinos, pode encontrar passagens por 50 euros para Lituânia, República Tcheca, e outros.

Quando cheguei aqui há 8 anos e depois que aprendi o idioma e conheci melhor a cidade (eu já tinha vindo a turismo com minha família porque meu pai tem parentes aqui ainda) um de meus primeiros empregos foi como guia turística. Então se você tem interesse em conhecer Budapeste, ficaria feliz em ajudá-lo e você pode ficar tranquilo que não cobro nada para isso!


Mas se você prefere passear sozinho, aconselho este site: www.funzine.hu que contém texto em inglês falando e explicando mais sobre as opções que a cidade oferece!