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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Por Onde Fui: Etiópia!? Mas Por Quê Etiópia? - Por Vanessa Prata

Mais um Por Onde Fui no ar! Desta vez nossa humilde coluna desbravou as terras africanas pela primeira vez com Vanessa Prata contando sua história de como foi conhecer a Etiópia! Envie seu texto você também!

Por Vanessa Prata

Etiópia!? Mas por que Etiópia?

Quem vai a Miami, Londres ou Paris jamais terá que explicar os motivos, já se você escolhe a Etiópia...

Em dezembro de 2014, passei 10 dias na Etiópia, minha primeira viagem ao continente africano. Mas, afinal, por que Etiópia? Bom, confesso que esse país estava longe de ser minha primeira opção; simplesmente foi a passagem mais barata (ou menos cara, melhor dizendo), para chegar a Dubai, meu destino final onde visitaria um amigo (e tema do próximo texto). Porém, ao começar a pesquisar sobre o país, percebi que mais do que simplesmente trocar de voos ou fazer um breve stop, havia atrações suficientes para vários dias (e os 10 dias só foram suficientes para conhecer uma parte dos lugares turísticos!).



O que tem na Etiópia? Muita coisa! Para começar, o que me motivou a visitar o país foi a cidade de Lalibela, ao norte da capital, Addis Abeba. Lá, o turista encontra um complexo com 11 igrejas esculpidas diretamente na rocha, por ordem do rei Lalibela (século 12), que quis construir uma réplica de Jerusalém em seu reino. Entre as igrejas, a mais famosa é a igreja de St. George, padroeiro do país, toda esculpida no formato de uma cruz.



Não menos belas e interessantes são as demais igrejas do complexo, interligadas por túneis, que fazem você se sentir num filme de Indiana Jones!


O segundo highlight da viagem, para mim, foi a região da Simien Mountains, onde está o ponto mais alto da Etiópia, a montanha Ras Dashen (4.550 m), que infelizmente não foi possível visitar, pois para chegar a ela são necessários 4 ou 5 dias de trilha. Mas pelo menos me hospedei no lodge mais alto da África, a 3.260 metros de altitude. E sim, à noite faz frio na Etiópia!


A vista da cadeia de montanhas é impressionante e, no caminho, centenas de macacos gelada fazem companhia aos turistas.


A cidade de Gondar, também ao norte do país, foi a última capital do império da Etiópia, e guarda ruínas dos castelos dos antigos imperadores, dos séculos 16 e 17. O complexo é Patrimônio Mundial da Unesco (assim como as igrejas de Lalibela).


Na cidade existe ainda a antiga piscina do rei Fasilidas, que governou o país de 1632 a 1667. Anualmente, em 19 de janeiro, nesse local é celebrado o festival Timkat, (“batismo”, na língua local amárico), momento em que a piscina está totalmente cheia e os fiéis podem se banhar nela, para celebrar o batismo de Jesus no rio Jordão. Como estava lá em dezembro, só deu para ver um pouquinho de água (demora duas semanas para encher).


Na cidade há ainda o Monastério Debre Birhan Selassie, com o teto todo decorado com pinturas de anjos. 


Em Bahir Dar (que significa “costa do lago”), normalmente é feito um passeio de barco pelo lago Tana, início do rio Nilo Azul, que depois vai se unir ao rio Nilo propriamente dito. Do barco, com um pouquinho de sorte, é possível avistar hipopótamos (só os olhos para fora d’água, mas já tá valendo).


As cachoeiras do Nilo Azul estavam num período de seca, então não chamaram muito a atenção agora, mas o caminho até lá, por uma breve trilha, vale muito a pena!





A capital, Addis Abeba (que significa “nova flor”), é o menos interessante de todos os lugares, escura e deserta à noite. Ainda assim, vale a visita ao Museu Nacional, ao Museu Arqueológico Nacional (onde está o esqueleto de Lucy, um dos mais antigos do mundo), à Holy Trinity Cathedral, à St. George Cathedral (quase toda cidade de Etiópia tem uma igreja chamada St. George) e à Entoto Maryam Church, no alto de um morro.

Holy Trinity Cathedral

Entoto Maryam Church
Para Saber Mais:

- A língua local é o amárico, mas quase todo mundo fala inglês, inclusive estudantes de ensino fundamental.

- A moeda corrente é o birr, equivalente a cerca de 13 centavos de real.

- A capital, Addis Abeba, está a 2.300 metros de altitude, a mais alta da África.

- A comida típica é a injera, uma espécie de massa fermentada (e azeda), sobre a qual colocam-se grãos, carnes, purê de batatas ou outros alimentos (em geral superapimentados).


- Obtém-se o visto na chegada, no próprio aeroporto. Só que ao contrário do informado em TODOS os sites que tinha pesquisado, custa 50 dólares, e não 20.

- Melhor trocar só um pouco de dinheiro por vez, muitas casas de câmbio não compram de volta a própria moeda deles, e ao menos o hotel em que fiquei também não aceitou pagamento com a moeda local.

- A Etiópia ainda é um país muito pobre, onde quer que você pare, dezenas de crianças vão tentar vender algo ou pedir dinheiro. Mas a imagem que muitos ainda têm de um país com crianças morrendo de fome, literalmente, não condiz mais com a realidade.